terça-feira, 18 de novembro de 2008

Nota sobre o ocorrido na E.E. Amadeu Amaral (versão final)

Nota sobre o ocorrido na E.E. Amadeu Amaral (versão final)


Na manhã do último dia 13 de novembro, o Governo do Estado de São Paulo demonstrou mais uma vez o seu descaso para com a educação pública e para com os estudantes sob sua responsabilidade. Sem motivos aparentes, após uma briga entre duas jovens, alunos da Escola Estadual Amadeu Amaral, localizada no largo São José do Belém, na zona leste da cidade, começaram a quebrar os vidros de algumas janelas e a arremessar carteiras prédio abaixo. A Polícia Militar foi acionada e, cerca de dez minutos depois, colocou fim ao que seria unicamente um ato de depredação.

A diretora do colégio negou aos alunos ter chamado a PM – que nega, por sua vez, ter agredido os estudantes com cassetetes. Segundo o responsável pela ação, o capitão Alessandro Marcos de Oliveira, os alunos teriam sido contidos "no grito". Como a repressão verbal não deixa marcas nas costas de ninguém – e o próprio capitão não nega a possibilidade de ter havido violência física –, estamos diante de uma ação truculenta da polícia, que invadiu um ambiente que deveria ser exemplo de civilidade, respeito e fraternidade.

O Núcleo Belém-Tatuapé do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) denuncia a política educacional praticada pelo governo estadual de São Paulo, que além de não promover uma educação pública de qualidade ainda se atreve a tratar os estudantes das camadas menos favorecidas da sociedade como se fossem bandidos.

Não é admissível que o poder público só chegue a esses jovens para aplicar-lhes castigos tendo a violência como único meio de persuasão. O PSOL não tem o objetivo de incentivar a quebradeira de escolas, mas recusa-se veementemente a fechar os olhos para as condições indignas da educação pública paulista e para o que está por trás do ocorrido no último dia 13no istao udantes das camadas menos favorecidas dasociedade tudantes ça qualquer momento, sem motivaçssar carteiras pr.

Como é do conhecimento de todos, muitos dos estudantes não sabem o que vão fazer na escola e qual a utilidade dela em suas vidas. Não há como negar que esta, atualmente, não tem proporcionado muitos argumentos para a defesa de sua utilidade. O PSOL entende o ato de rebeldia dos estudantes como um levante contra um modelo de educação falido, que não interage com a realidade do aluno e não o instiga a aprender. O que aconteceu no Belém foi uma revolta mal canalizada, é verdade, mas absolutamente legítima frente ao sucateamento da educação pública.

A Escola Estadual Amadeu Amaral, localizada em um prédio de 1909 tombado como patrimônio histórico, é uma das escolas que abrigam menores infratores em liberdade assistida e que possuem turno integral. Deveria, portanto, oferecer uma pedagogia condizente com tais características. A má qualidade e a falta de perspectivas acaba por forjar um sentimento de revolta, latente, que pode explodir a qualquer momento, como aconteceu, sem motivação ou objetivo claros, mas com resultados que chamam a atenção de todos.

O PSOL denuncia a política educacional do governo de José Serra (PSDB), que age de forma eleitoreira, com vistas a frutos políticos futuros. As escolas técnicas do Centro Paula Souza, que em sua maioria contam com estudantes maiores de idade – e, conseqüentemente, potenciais eleitores –, recebem atenção especial, contando com mais verbas e funcionários, para servirem de modelo de educação a ser apresentado possivelmente em programas eleitorais mais adiante. Quase no mesmo dia do incidente, o governo estadual ofereceu generosos R$ 4 bilhões para as montadoras de veículos estrangeiras instaladas em São Paulo. Dinheiro este que é sistematicamente negado aos serviços públicos.

O PSOL reafirma o seu compromisso com uma educação pública de qualidade para todos os jovens, sem qualquer tipo de segregação ou diferenciação que não seja para atender à diversidade e às necessidades especiais de cada um. O partido luta por um modelo de educação que seja capaz de emancipar o indivíduo por meio do conhecimento, de promover a justiça social e de formar cidadãos conscientes e críticos, o que só será possível com a valorização dos corpos docente e discente. Nós do PSOL temos a certeza de que essas medidas, com as quais nos comprometemos de maneira firme, são capazes de permitir um ambiente escolar harmonioso. Caso fossem praticadas, certamente a revolta dos estudantes teria sido expressa de outra maneira. Ou, antes, não teria existido, assim como seguramente um governo descompromissado com as causas sociais como esse não estaria no poder.





São Paulo, 15 de novembro de 2008.

Núcleo Belém-Tatuapé do PSOL

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